quinta-feira, 9 de setembro de 2010

calei o vértice




Calei o vértice,
pois de exata não há métrica possível para defini-la.
Apaguei têmporas, lóbulos e frontes desterradas.
Desliguei as plumas, penachos e paetês,
desisti dos castelos, barcos e taças.
Nada a dosá-la.
Não há instrumento capaz de medir a exatidão,
o despautério ou os pretextos da sua beleza.
A beleza de ser simplesmente encanto,
encantadora de virtudes, momentos e sensações.
Acendi e ascendi ao plano das incautas criaturas
que inevitavelmente por ti se apaixonam.
Enquanto meu passo é só uma mentira,
fica a verdade para o caminho, a realidade para o destino.
Luz plena e absoluta de inverno,
tua brancura é meu destino
e nossas arestas o trunfo para a vitória.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

meu pensamento rima fácil




Meu pensamento rima fácil, bem fácil.
A poesia me perdura e te dedura.
A ponte construída durante anos num verso caiu.
Se o obvio te condena não me culpe nem sinta sua pena.
Pesada pena é mesmo a nossa que se carrega na desentrega.
Não. Desculpa, mas sua vida não é cinema,
e não se compra mais lingüiça com trema.
Como? Se confundir entre mensagem e tema?
Saia do dilema ouça com paz e eloqüência,
a voz portuguesa gramaticalmente acesa,
guiando-nos em pastos de plena grandeza.
amplitude da sapiência
meus pensamentos aos prantos,
vomitados numa bacia de louça
minha amiga privada, que não rima de cara,
somente no final de outra noitada...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

papo de amiga



em algum barzinho do baixo gávea:
mas e o Bruninho?
ahff... amiga, nem te conto... tive que terminar tudo com ele
por que?
ah, sabe como é né, gata, aquela coisa demais, não sei bem, mas sabe, tipo um lance bom demais, sabe?
Sei, sei sim... eu e o Bê foi a mesma coisa no começo, agora, olha aí, é jiu-jitsu as terças e quintas, peladas as quarta e domingos e ainda tem estágio, academia e o maldito maracanã, que graças a Deus vai fechar.
mentira? sério? fechar? nossa que doidera... mas o Bruninho era demais. carinhoso, fofo, atencioso, inteligente, aquele peito enorme, forte, com os cabelinhos certinhos, aparadinhos, barriga de tanque, ai... um sexo maravilhoso, preocupado comigo... na cama era só carinho... e eu alucinada me encvolvendo me entregando e cada vez mais, ai, uma delícia, e carinho, beijinho, aquela voz maravilhosa no meu ouvido me arrepiando inteira, estremecendo minhas pernas e molhando minhas calcinhas só de falar pelo telefone... e eu cada vez mais envolvida com aquele homem lindo e sensível, um gentleman, companheiro, parceiro mesmo... ui... não agüentei mais, se não daqui há pouco to eu aí, feliz com dois filhos lindos, casada com um homem maravilhoso vivendo uma vida de sonho, já pensou? não, comigo não, terminei com ele pelo Orkut mesmo, deixei um scrap que não dava mais e marquei de sair com o Claudinho, sabe aquele meu vizinho?
ai, aquele que fazia pega e vivia aos berros com a mãe?
é, mas isso não rola mais não...
hum... ele se acalmou?
não, a veia morreu mesmo e o carro dele tá apreendido, Lei Seca.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

poeta




Poeta e bêbado,
alcoólatra caindo pelas tabelas,
barras de saia e beiradas de penico.
Poeta Bêbado abstêmico...
de mais...
Nem é poeta é punheta,
xarope!!!
Desterro, desmérito desraciocínio.
Lexa criatura de nós a poesia.
Desastrosa convicta e relez...
encontra-se no chão, na rua,
no butequim e no puteiro.
Poesia de puteiro...
Poeta de vadiagem,
espírito de porco na lama,
peçonha de ser humano por nada.
Poeta na beira da privada vomitando de dor...
Vomitando de não estar mareado...
vomitando por estar em terra firme...
Enjôo de sobriedade, já passa!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

menina, menina, menina.



sonho real, carisma de sentimento...
meu sorriso pelos cantos
onde vejo nossos carinhos,
assim mesmo, mesmo assim,
pelas ondas do pensamento em fuga,
deslizo esguía e contente.
solução absoluta,
um perfume de nos dois
que passa pelas brisas,
encontra os coqueiros,
assumem várias posições.
o cotidiano, coitado genérico,
demasiado mesmo,
para nossas soluções alternativas,
limita-se em ser.
vai assim meu véu bailando noutros instantes,
sofrendo o sabor delicioso do absoluto,
confirma somente o por vir
e abraça solene meu potinho de suspiros,
cada qual num absoluto espaço único,
adoro sentir minha íris brilhar,
meu corpo torcer pelo desejo de nos dois...
mesmo assim, assim mesmo,
consigo bem entender a solução,
meu carinho no seu peito...
nada mais,
apenas uma menina que ama!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

maria largada




Pestanejar de migalhas ao chão
tu passando noutro plano essencial
o que partilhas pronde vai nunca vi
sinto ser, sinto ser, sinto muito eu.
Gostas, cachorro, dessa correia?
o mesmo deveria saber eu,
de entranhas voláteis e obscuras
uma serpente como diria o fatídico pastor.
O sangue no olhar do vampiro
noutro modo não estaria tão vivo
quanto nesses viadutos de tecidos.
enquanto o próprio vermelho sufoca,
outras bandas referendam
pela sumidez destemperal do uso.
é que não realmente conheço
outros cantos de esmalte que não
numa prateleira.
Seja esse todo o surto,
cai na mão do mundo a solução desse pranto.
Outra Maria Largada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

sobre um tal lado b



Viramos o disco pra ouvir as palavras em B, nada.
a vitrola disse que o lado b tava de greve e não ia falar.
Ei Como pode? Manda falar, sim senhora, quero ouvir,
cantar e viajar nesses tons amenos da musicidade.
Impossível, madame, repetia igual vitrola mesmo.
Muito louco.
Tomei o gravador na mão e disse não vai cantar não é?
Impossível, madame impossível, vitrolescamente...
Arremessei com toda força o gravador de encontro ao prato.
O estardalhaço durou três dias e três noites
no final desse tempo
eu tinha um gravador de agulha,
uma vitrola que tocava fita
e um disco com o Lado B ainda em greve.
Desistimos da pendenga no raiar do 4º dia,
pegamos uma praia, fumamos um fino
e no retorno ao sagrado e doce lar,
vitrola e gravador estavam cada qual na sua.
e o disco?
Bom o disco parece que saiu em condicional,
indulto por bom corpotamento ou algo do tipo
e nunca mais se teve notícia do dito.
Nem me lembro o artista,
mas me lembro perfeitamente...
Blues