quinta-feira, 7 de abril de 2011

Papo de esquizofrénica.

Ai, eu tô aqui,
eu to aí?
Então fico aqui.
Não aguento essse vem não vem.
To aqui e lá,
nenhum lugar,
pra comer e beber,
nem pra benzer nem pra amar,
to qui nem lá,
qual estaria se sumida, desaparecida
em norte e sul...
aqui e lá, to aqui to lá,
to atolada de aqui e lá...
sufocada de nenhum lugar,
desacreditada em funcionar,
eu detesto ver o link quebrar,
mas de nunhuma forma conformo
aqui e lá, onde estou cá e aqui,
aqui e lá
lá...
aqui...
e...

terça-feira, 5 de abril de 2011

o que faz ainda esse silêncio gritar tão alto?



o que faz ainda esse silêncio gritar tão alto?
o que faz ainda essa sensação sofrer insana eterna?
o que ainda há de caminho não é caminho é caminhar.
descobri o amor assim,
na parede que nunca foi construída o rabisco,
antes de ser tinta engarrafada, foi ilusão.
Quando necessariamente esse ponto foi um dos ápices,
uma outra parte perdia em alegoria
e adereço décimos fundamentais
e depois da vida solta minha bateria ainda foi
capaz de atravessar...
sabe como foi?
vou te contar:
descobri o amor assim...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

e num canto de solidão
a filha pergunta pra mãe
Tem algum lugar pra fazer doer menos?

quinta-feira, 31 de março de 2011

sorriso aprendido



é foi quando que vi um sorriso
era o aprendido refletindo o céu do vento
a roupa velha na varanda.
luz do ar em pleno ser,
é no momento do aprendido
somente o aprendido
em meio caos, completo despetalar
o aprendido entre conseguir e ser capaz
só mesmo o aprendido
só mesmo o aprendido consegue sangrar
da matéria torpe à redenção solar,
só o aprendido pra fazer verso na dor.
só mesmo o aprendido pra fazer sorrir no sal.

Abrigos



Abrigos pouco confortáveis,
cobertores finos, larga escuridão.
Deméritos sobrepujantes num canto,
algum desespero que escorre pelas paredes,
flácidas desesperanças a soleira da porta.
Difícil relaxar, difícil sentir carinho,
difícil até remontar um céu azul.
Deixo foco centrado no centro do ventilador
que desaba a cada hidratação da córnea.
Desaba e volta. E volta a desabar.
É não há como dormir.
Ouço os cílios se resvalando,
encontro feitiços por detrás das cortinas,
reconheço vozes.
Não conheço seus tons, nem seus valores.
Sinapses, milhões de sinapses.
É muito tempo desabando ar para se fingir.
Levanto atônito e senil, desacordado de esperança.
Recolho alguns sumiços há muito destemperados,
coloco-os aconchegados entre o lençol e o travesseiro.
Eles olham desesperados ao redor
e desdormem com os olhos fixos no ar que desaba:
Fica um pouco com a gente?

terça-feira, 29 de março de 2011

A História de Espaço Dessa Terra.



Antepáros de Solidão.
Eles espreitam ao Norte, rumo a Colina Sardenta
e cada vez mais próximo ao Espaço Dessa Terra!
Nunca se ouvira ressaltar em apontamento algum
sobrepujante catástrofe atroz qual a da vez.
Ainda serpenteavam alguns viventes ora cá e lá.
Momentos intermináveis a espera de colher
uma lufada de ar fresquinho advindo do Bosque Santo,
quando era de se desanuviar os pensamentos um pouco.
Até mais tardar o meio do dia já se terão aboletado
no topo da colina, ao cair da primeira gota do Tempo Chuva
desabaladas criaturas Solitárias, Bando de Sozinhos,
o Enxame de Unidades vai devastar Espaço Dessa Terra.
Jamais, nunca, nem por pensar os Devotos conseguiriam
 antever tal mal agouro. Assunto até já cansou um pouco
a ouvidos menos caprichosos de lavoura e dados a faledicências.
Enfim, Deus dá o frio conforme o cobertor.
Latejou o sino do meio dia e se fora o primeiro sinal
chegou tarde como o nunca. Havia uma névoa cinzenta na colina.
Foi possível sentir o primeiro reflexo dos anteparos rasgando veias,
vertendo vias em valas, vulgarizando vírgulas.
Estapafúrdia, insanidade, limites de sobrepujar corpo e mente.
Corriam os serem em volta de si mesmos batendo na cabeça
com as mãos espalmadas e gruindo, gruindo, gruindo, gruindo sempre...
Devastador ter uma janela, deveria não existir janelas em tal,
presenciar o desespero é mais desesperador que frutificar o mal.
A essa altura do ponto o alto da Colina Sardenta era todo nuvem,
espaço morto e folhas opacas, foi-se o visgo e nem sobraram peças.
Os anteparos da Solidão vinham refletindo a imensidão da luz
em mais alto vigor de devastação luminosa, como se olhassem
dentro uns dos outros, a devassidão alheia o vazio do sem fim.
O destemperado nítido era jazigo perpetuo de almas solenes,
corajosas guerreiras que se atreviam na luz fundamental.
Os anteparos de Solidão despontaram o pé da Colina Sardenta
a devastação atingia sua plenitude em Espaço Dessa Terra.
O tempo muito feio e fechado por detrás da colina revelava o breu,
a escuridão nebulosa tornava-se em negrume absoluto
e faria desabar os céus naquele que seria o último suspiro dessa terra
o Espaço Dessa Terra...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

conhecer o improvável.



Conhecer o improvável.
As ondas e as chamas não se bastam
nem no ar nem na poesia.
Norte ou sem rumo.
Para onde nos leva a seca?
Bem perto do nada joguei rede e prendi anzóis.
Da bela mancha angariei trevas e rosas também.
Pintei o céu de amarelo.
Esculpi a vila de Brisa,
picada na mata patas firmes.
Pisei o chão.
Nenhuma coisa andou para crer,
pela nobreza inevitável de tuas asas
meu peito respirou teso.
Era teu cheiro invadindo meus sentidos.
Céu azul.
Vila de pedra.
Caminho livre.
Vento nas árvores.
Rosa no caminho.
Em seu lugar, as coisas, ao seu toque.
Fecho os olhos
e na clareza da realidade sinto paz.
O desenho está completo.